Terceira idade

Uma das maiores preocupações das pessoas com mais idade é a sua segurança – física e psicológica, económica e social. Também a manutenção das relações com familiares e amigos e a forma de orientar os seus tempos livres, para não terem a necessidade de “matar o tempo” de forma inútil, constituem preocupações típicas nesta fase de vida.

No trabalho psicoterapêutico através do movimento com pessoas de mais idade, encontramos geralmente três grandes objectivos:

1. Estabelecimento de um ambiente estável e familiar, que permita o desenvolvimento de interações duradoras e com sentido. A atividade corporal facilita grandemente a criação deste marco consistente e familiar. Este objetivo é muito importante para pacientes com um grau elevado de confusão mental.

2. Partilhar reminiscências, recordações, memórias… Este objetivo pretende mais dar sentido e qualidade às relações com os outros, do que promover a capacidade de integração de acontecimentos passados, que muitas vezes se encontra deteriorada nas pessoas com mais idade.

3. Criar uma interação (de grupo ou com a psicoterapeuta) com sentido e finalidade, que possa ajudar as pessoas com mais idade a fazer uma gestão eficaz de emoções e sentimentos nem sempre simples nesta fase de vida (perda de capacidades múltiplas , doenças, dor física, perda de pessoas queridas, proximidade da morte, etc.).

Exemplo de uma sessão com pessoas com mais idade 

As sessões nesta fase de vida são geralmente grupais por forma a estimular as relações sociais. Iniciam-se com as pessoas sentadas em círculo, o que contribui para a percepção dos outros e para a criação da unidade do grupo, uma vez que se favorece o contacto visual. A dinâmica da sessão pode incluir:

  1. Exercícios de aquecimento, que favorecem a estimulação de músculos e tendões, e que podem ser iniciados e dirigidos pelos próprios participantes.
  2. Uso do tacto mútuo e da auto-massagem, na medida das possibilidades de cada um.
  3. Utilização da música como um estímulo eficaz que favorece a inclinação natural ao ritmo e a correspondente resposta corporal, bem como que pode provocar distintas emoções e recordações.
  4. Utilização de acessórios para estimular a atividade e a interação entre participantes, e como suporte externo para manter o grupo conectado e unido. Os acessórios favoritos são panos ou lenço coloridos, tecido elástico para estiramento, bolas de espuma, etc.
  5. Vocalização e verbalização de emoções e sentimentos, quer como indicador do estado emocional do grupo no início da sessão, quer como partilha, ou ainda para ajudar a integração do que se viveu em movimento, no final da sessão.
  6. Desenvolvimento do movimento empático: a psicoterapeuta guia e promove a interação do grupo a partir dos elementos expressivos dos diferentes participantes.
  7. Utilização da imaginação e do carácter simbólico do movimento como ferramentas úteis na identificação de sentimentos e emoções, e também para relacionar gestos com situações reais e facilitar o processo de recordar.
  8. Recordações que se desenrolam a partir da acção. Recordar é um comportamento adaptativo que deve ser estimulado nas pessoas com mais idade, em circunstâncias apropriadas.
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